Racismo – TV Raman https://site.tvraman.com.br Emissora de Radio e TV Wed, 18 Oct 2023 11:33:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://site.tvraman.com.br/wp-content/uploads/2023/12/cropped-novalogo-32x32.png Racismo – TV Raman https://site.tvraman.com.br 32 32 Prefeito de Itatiaia é preso após chamar funcionária de padaria de “negrinha” https://site.tvraman.com.br/2023/10/18/prefeito-de-itatiaia-e-preso-apos-chamar-funcionaria-de-padaria-de-negrinha/ https://site.tvraman.com.br/2023/10/18/prefeito-de-itatiaia-e-preso-apos-chamar-funcionaria-de-padaria-de-negrinha/#respond Wed, 18 Oct 2023 11:33:02 +0000 https://site.tvraman.com.br/?p=12833

O prefeito de Itatiaia (RJ), Irineu Nogueira, foi preso em flagrante nesta terça-feira (17) após ser acusado de chamar uma funcionária de uma padaria de “negrinha”. O estabelecimento fica no bairro Jardim Jalisco, em Resende (RJ).

Segundo a Polícia Civil, o prefeito tentou pegar um salgado direto da vitrine e foi advertido pela atendente, que explicou que era proibido os clientes se servirem por conta própria por uma determinação da Vigilância Sanitária.

Neste momento, Irineu se irritou com a funcionária e começou a ofendê-la com palavrões. Outra balconista tentou conter a situação e foi interrompida pelo prefeito, dizendo que não tinha problemas com ela, mas com sua colega de trabalho, a chamando de “negrinha”.

– Meu problema não é com você, é com aquela negrinha lá – acusou o políico.

Assim que o prefeito deixou a padaria, a funcionária injuriada se dirigiu à delegacia de Resende para registrar o boletim de ocorrência. Na queixa, foi anexado um vídeo da câmera de segurança do estabelecimento. A filmagem não tem som, mas mostra o momento da confusão.

Diante das evidências do relato e do vídeo, o delegado de Resende, Michel Floroschk, saiu às ruas e obteve êxito na prisão de Irineu Nogueira.

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Assessora da ministra da Igualdade Racial faz ofensa contra torcida “branca” do São Paulo https://site.tvraman.com.br/2023/09/26/assessora-da-ministra-da-igualdade-racial-faz-ofensa-contra-torcida-branca-do-sao-paulo/ https://site.tvraman.com.br/2023/09/26/assessora-da-ministra-da-igualdade-racial-faz-ofensa-contra-torcida-branca-do-sao-paulo/#respond Wed, 27 Sep 2023 00:44:26 +0000 https://site.tvraman.com.br/?p=12045 Por redação:
Depois de a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, usar um jatinho da Força Aérea Brasileira (FAB) para ir à final da Copa do Brasil, sua assessora aproveitou o mesmo jogo para ofender a torcida “branca” do São Paulo, chamar a diretoria do Flamengo de “fascista” e reclamar da Polícia Federal (PF). A assessora fez as postagens em redes sociais com imagens da partida que ocorreu no estádio do Morumbi, em São Paulo, no último domingo (24). Nas publicações, a Assessora Especial de Assuntos Estratégicos do Ministério da Igualdade Racial, Marcelle Decothé, criticou a suposta ascendência europeia dos são-paulinos que assistiam ao jogo. “Torcida branca, que não canta, descendente de europeu safade… Pior tudo de pauliste”, escreveu. Em outras postagens, ela afirma ser flamenguista “independente da diretoria fascista”, crítica a Polícia Federal e aparece mostrando o dedo do meio para a câmera ao lado de outra assessora da ministra. Ambas acompanhavam Anielle Franco na partida para o lançamento de uma ação contra o racismo.

Print de imagem publicada nos stories de Marcelle Decothé da Silva mostra que assessoria especial do Ministério da Igualdade Racial criticou torcida “branca” do São Paulo Futebol Clube

Racismo no Brasil é crime inafiançável e imprescritível

No Brasil, o racismo é um crime inafiançável e imprescritível, previsto no inciso XLII ao artigo 5º, da Constituição Federal. A Lei do Crime Racial, 7.716 de 1989, define quais são os crimes “resultantes de preconceito de raça ou de cor”. Em 11 de janeiro, o presidente Lula foi mais longe e sancionou uma lei que equipara a injúria racial (ofensa a uma pessoa) ao crime de racismo. Com isso, falas que contenham elementos referentes a raça, cor, etnia ou procedência nacional entendidas como ofensivas por pessoas ou grupos considerados minoritários também passam a ser imprescritíveis e inafiançáveis, assim como já ocorria no crime de racismo. Em nota, o Ministério da Igualdade Racial informou que abriu investigação para apurar a conduta das servidoras. Além disso, uma notícia-crime foi apresentada pelo deputado federal Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) contra a assessora por discriminação racial.

De acordo com o parlamentar, a apresentação foi protocolada no Ministério Público de São Paulo e na Polícia Civil do estado, pois as publicações configurariam crime. “A assessora praticou discriminação por cor e procedência nacional, uma vez que afirmou que a torcida branca é descendente de europeu safado (cor e procedência nacional) e fez ainda uma relação entre eles e o fato de serem paulistas (procedência nacional)”, afirma o documento. Bilynskyj cobra ainda o afastamento imediato da assessora de suas funções devido à incoerência entre seu cargo e suas postagens, já que ela atua na “pasta do Poder Executivo Federal competente para planejar, coordenar e executar políticas públicas de promoção da igualdade racial e combate ao racismo em caráter nacional”, concluiu.

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Aos necessários dias de consciência negra e o nosso futebol de cada dia https://site.tvraman.com.br/2021/12/17/aos-necessarios-dias-de-consciencia-negra-e-o-nosso-futebol-de-cada-dia/ https://site.tvraman.com.br/2021/12/17/aos-necessarios-dias-de-consciencia-negra-e-o-nosso-futebol-de-cada-dia/#respond Fri, 17 Dec 2021 00:18:46 +0000 https://site.tvraman.com.br/?p=176 O dia 20 de novembro resgata a memória de rebeldia de Zumbi dos Palmares, que aprendeu a defender uma estratégia de poder usando várias formas e técnicas de resistência. – Gorivero / Wikicommons

A luta pela democracia perpassa também pela luta da democracia no futebol

Beni CarvalhoBrasil de Fato | Salvador (BA) | 30 de Novembro de 2021 às 10:38

No dia 20 de novembro celebramos com luta o dia da Consciência Negra. Ainda que esta seja cotidiana para aqueles e aquelas que resistem diariamente a esse sistema brutal, que mantém as suas garras sobre nós trabalhadores e trabalhadoras negros e negras, a data é para nós um dia em que devemos sempre reforçar a nossa rebeldia necessária. Assim como foi o dia 04 de novembro, quando celebramos para reforçarmos a rebeldia necessária (nos seus princípios, teoria e concepção política) de um negro amante do futebol, marxista-leninista, Carlos Marighella, o dia 20 traz a memória de rebeldia de Zumbi dos Palmares, que aprendeu a defender uma estratégia de poder usando várias formas e técnicas de resistência que acabaram contribuindo com o desenvolvimento cultural da sociedade brasileira.

A luta racial é de interesse do proletariado brasileiro, pois o racismo tem em seu âmago contradições irresolvíveis no capitalismo brasileiro, assumindo sempre dimensões explosivas. Por isso, é de nosso interesse fortalecer e intencionalizar uma política que estimule todos os espaços sociais que enfrentem a questão racial enquanto sua dimensão dialética na classe trabalhadora brasileira.

As denúncias que os trabalhadores, as trabalhadoras e o movimento negro vêm estimulando para garantir a revelação das barbaridades históricas e vigentes contra os corpos negros/as estimulam a luta racial no futebol, que retroalimenta essa resistência cotidiana. Nesse conflito cotidiano, no dia 16 de novembro, infelizmente presenciamos um ato racista contra a jogadora Adriana do Corinthians, pelas adversárias do Nacional do Uruguai, em partida válida pela libertadores. Mesmo tendo havido reação a partir dos protestos das jogadoras corinthianas, lamentavelmente o jogo teve a continuidade dada pela equipe de arbitragem.

Em outro episódio, foi constatado atos racistas cometidos pelo conselho deliberativo do Brusque Clube contra o jogador Celsinho. O caso foi passível de punição, no entanto, no dia 18, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva – STJD absolveu e garantiu a recuperação de três pontos do citado clube da série B do Brasileirão. Celsinho manifestou publicamente seu repudio à decisão retrógrada.

O futebol, como em diversos âmbitos das nossas relações sociais, é articulado por uma estrutura econômica que orienta as formas de produção, socialização e de dominação a partir de uma política com orientação de classe.

Num momento em que o capitalismo necessita aprofundar a exploração dos trabalhadores/as e diante da crise de destino do conjunto da classe e suas representações, crise essa demonstrada na política federal do Brasil e no controle da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), torna-se necessária para o sistema a política retrógrada e violenta contra o nosso povo. Sendo assim, tanto o governo federal quanto a CBF apostam na espetacularização, na ausência de investimentos, na corrupção, no autoritarismo, no ataque à democracia e no reforço do racismo enquanto condução da superexploração.

Os negros, enquanto sujeitos historicamente dominantes na qualidade e na quantidade, no futebol estão sujeitos às péssimas condições de trabalho. Segundo estudo “Impacto do Futebol Brasileiro” realizado pela consultoria da Ernst & Young para a CBF em 2020, 55% dos jogadores de futebol masculino brasileiros (é importante levarmos em consideração que, dessa porcentagem, a maioria são homens negros) recebiam menos de um salário mínimo; em contrapartida, apenas 1% recebiam acima de 500 mil reais. Esses dados nos mostra como a crise social impacta ainda mais muitos trabalhadores, agravando as condições dos negros, em especial as mulheres negras, que teriam possibilidade de se desenvolverem no futebol, porém, a ausência das condições mínimas de sobrevivência afastam esses trabalhadores/as das condições plenas do desenvolvimento da cultura esportiva do futebol, e assim vai se destruindo os e as “artistas da bola”, ao passo que o futebol brasileiro vai se concentrando nas mãos de burgueses e pequenos burgueses neofascistas que, baseados na espetacularização, racismo e patriarcalismo, submete a maioria ao projeto político deles.

Por fim, reforçamos que a luta pela democracia perpassa também pela luta da democracia no futebol e por uma estratégia política que possa lograr os trabalhadores e trabalhadoras ao objetivo da conquista do poder político, para que possamos impor também os nossos interesses no futebol brasileiro, que estimule o desenvolvimento pleno da nossa cultura e arte com igualdade econômica e política. Para isso, é necessário reforçarmos sempre a rebeldia necessária de Zumbi, Dandara, Marighela, Lélia Gonzalez e muitos outros e outras que são nossa eterna inspiração por um mundo de poesia, futebol, samba/forró e revolução.

Edição: Jamile Araújo

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